Energia Solar Fotovoltaica no Rio de Janeiro

Painéis solares fotovoltaicos são uma opção para edifícios no Rio

Sistemas fotovoltaicos de geração de energia elétrica instalados em edifícios estão se tornando mais competitivos economicamente e devem ser considerados para projetos no Rio de Janeiro. Foto por reiner.kraft licenciada sob creative commons.

Com a abundância de energia solar, o preço dos painéis solares caindo e a interconexão à rede elétrica sendo possível, a geração de eletricidade por meio de painéis solares fotovoltaicos está se tornando uma opção mais viável para os edifícios no Rio de Janeiro.

A cidade recebe em média 4,63 kWh/m2 de energia solar por dia.

O Brasil é um país extremamente ensolarado, com um enorme potencial de geração de energia solar fotovoltaica. Este recurso tem sido amplamente sub-utilizado no país.

Atualmente a energia elétrica no Rio origina-se, grande parte, em usinas hidrelétricas distantes. As usinas são conectadas ao Rio de Janeiro por uma transmissão complexa e um sistema de distribuição dispendioso – os quais sofrem grandes perdas de energia.

Em edifícios comerciais no Rio de Janeiro durante os meses de verão, o ar-condicionado é responsável  pelo maior gasto de energia nos picos de demanda durante o dia. Estas cargas são associadas com a excelente disponibilidade de radiação solar, uma vez que a utilização de ar condicionado está positivamente correlacionada com a intensidade da luz do sol. Quando o sol se torna mais forte e a demanda elétrica aumenta, a energia solar fotovoltaica está no seu pico de capacidade de geração. Instalar sistemas de geração solar fotovoltaica em edifícios reduziria significativamente os picos de demanda na rede elétrica [1].

Além disso, os sistemas solares fotovoltaicos podem ser instalados perto do ponto de consumo, minimizando as perdas de transmissão e adicionando a sua capacidade na rede elétrica sem custos maiores de infraestrutura. Neste contexto, a utilização de energia solar fotovoltaica integrada aos edifícios deve ser considerada no Rio de Janeiro. O Brasil fez um compromisso significativo para a utlização de sistemas solares na Copa do Mundo de 2014, o evento esportivo que o Brasil pretende tornar o mais sustentável da história [2].

 Viabilidade Comercial da Energia Solar Fotovoltaica

A energia solar está crescendo em popularidade entre os consumidores brasileiros – em parte devido a um programa do governo chamado PROESCO. O programa tem como objetivo fornecer apoio financeiro para os usuários finais e empresas de fornecimento de eletricidade que desejam instalar sistemas de energia solar.

Produzir energia no Brasil a partir de painéis solares instalados nos telhados dos edifícios custa menos do que a energia vendida por 10 dos 63 distribuidores de energia do país, de acordo com a Empresa de Pesquisa Energética. A eletricidade a partir de um sistema típico de 5 kW custa cerca de R$ 602,00 (US$ 299) por MWh. Distribuidores cobram entre R$ 240,00 e R$ 709,00 pela energia residencial. A geração de energia a partir dos sistemas instalados nos telhados é cada vez mais competitiva em comparação com a eletricidade de empresas de serviços públicos (incluindo Ampla Energia e Serviços SA e Cia. Energética de Minas Gerais) [3]. Quando os usuários finais financiam projetos solares fotovoltaicos através do PROESCO, o custo da energia solar fotovoltaica cai para R$ 586 por MWh.

A competitividade da geração de energia solar fotovoltaica foi analisada pela Empresa de Pesquisa Energética do Estado [4]. A análise comparou o custo estimado de geração com a taxa paga pelo consumidor à empresa concessionária. A análise seguiu a metodologia EPIA para determinar os custos, e fez as seguintes premissas:

  • Taxa de desconto real: 6% ao ano (taxa real já descontada de inflação)
  • Ciclo de vida da planta: 20 anos (exceto inversores: 10 anos)
  • Custo anual de operação e manutenção: 1% do custo de investimento
  • Período de construção: 3 meses
  • Perda de eficiência dos painéis: 0,65% ao ano, com uma diminuição  correspondente da energia produzida
  • Fator de Eficiência: 15,1%

Custo Nivelado de Geração (R$/kWh)

Aplicação

Energia

Investimento Inicial ( ‘000 R$)

Custo Nivelado de Geração (R$/kWh)

 

Residencial

5

38

602

10

69

541

Comercial

100

591

463

Industrial

1.000

5185

402

Fonte: [4].

Viabilidade da Energia Solar Fotovoltaica no Rio de Janeiro

O custo da eletricidade no setor residencial no Rio de Janeiro é de R$ 521,00/MWh. O custo da eletricidade no setor comercial é de R$ 470,00/MWh – valores extraídos da Light Serviços de Eletricidade SA [5]. O custo da eletricidade da rede no Rio de Janeiro no momento é substancialmente menor do que a eletricidade gerada por energia solar fotovoltaica.

Referências

  1. R. Ruther, M. Dacoregio, S. Jardim, and R. W. Ricardo, “GRID-CONNECTED PHOTOVOLTAICS IN BRAZIL.” [Online]. Disponível em: http://www.lepten.ufsc.br/publicacoes/solar/eventos/2005/ISES/ruther_reguse.pdf [Acessado em: 17-Out-2012].
  2. R. Yapp, “PV Powers the World Cup in Brazil,” Renewable Energy World Magazine, 2012. [Online]. Disponível em: http://www.renewableenergyworld.com/rea/news/article/2012/04/pv-powers-the-world-cup-in-brazil [Acessado em: 18-Out-2012].
  3. EPE, “Análise da Inserção da Geração Solar na Matriz Elétrica Brasileira,” 2012. [Online]. Disponível em: http://www.epe.gov.br/geracao/Documents/Estudos_23/NT_EnergiaSolar_2012.pdf [Acessado em: 18-Sep-2012].
  4. Light, “Electricity Tariff Rio de Janeiro,” 2012. [Online]. Disponível em: http://www.light.com.br/web/institucional/atendimento/informacoes/tarifas/tetarifas.asp [Acessado em: 18-Sep-2012]